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Polícia encontra cópias de cartas em apartamento de concunhado de deputado
   18/12/2011 - 15:19:26
Fonte: Odocumento   


Cópias de cartas de crédito foram encontradas no apartamento do advogado Ocimar Carneiro, concunhado do deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) e preso na operação Cartas Marcadas. Carneiro mora em Ribeirão Preto (SP), de onde três malotes de documentos que ainda estão sendo verificados pela Polícia Civil (PC) foram trazidos a Cuiabá. A residência do advogado foi um dos 14 locais onde foram cumpridos os mandados de busca e apreensão.

Junto com as cópias das cartas também foram encontrados comprovantes de depósitos, escrituras públicas e cheques. Também em Ribeirão Preto, no apartamento da sogra de Gilmar Fabris, mais de R$ 25 mil foram apreendidos pela Delegacia Fazendária. Neste apartamento, a polícia obteve grande parte dos documentos dos três malotes.

A polícia prendeu os seis acusados (ver matéria) de participação no esquema de emissão irregular de cartas de crédito. No entanto, a atuação de cada envolvido ainda não foi divulgada pelo delegado Lindomar Tofolli, chefe da investigação.

Para o advogado de Ocimar, Paulo Budóia, a polícia está “mentindo”, já que não houve esse tipo de apreensão. “Eles estão desesperados, estão dando tiro no escuro pela trapalhada que fizeram”, destacou. Budóia afirmou, contudo, que, se houve apreensão de cartas de crédito no apartamento de Ocimar, os documentos são todos legítimos. “Só seria ilegal se as cartas fossem falsificadas”.

A “trapalhada” citada pelo advogado diz respeito também aos R$ 25 mil. Ele explicou que tanto Ocimar, Fabris e a sogra deste moram no mesmo prédio, só que em apartamentos diferentes. A apreensão do dinheiro foi feita onde a sogra mora, sendo que, segundo o advogado, ela não tem participação nenhuma e nem é acusada pela polícia.

“Até o porteiro do prédio havia dito que o deputado não morava ali, mas sim a sogra dele. Ela mora no [apartamento] 11, Gilmar no 92 e Ocimar no 141. Entraram na residência de uma senhora que não tem nada a ver com o processo. Foi ela mesma quem abriu o cofre e tirou os R$ 25.137,00. É por isso que vou anular o mandado de busca e apreensão, é ilegal”.

Segundo levantamento da Auditoria Geral do Estado, mais de R$ 490 milhões em cartas de crédito foram emitidas pela Secretaria de Estado de Administração (SAD). Os valores foram calculados pela Secretaria de Fazenda (Sefaz) e a homologação feita pela Procuradoria Geral do Estado (PGE).

Ao todo, foram emitidas R$ 633 milhões em cartas, sendo que, desta quantia, cerca de R$ 142 milhões eram os valores que deveriam ser dados aos agentes fazendários. Os servidores, na realidade, deveriam receber R$ 380 milhões do governo do Estado, mas, como fizeram um acordo, 63% deste valor foi abatido, chegando aos R$ 142 milhões já citados. Quando obteve conhecimento sobre a emissão irregular, o governador Silval Barbosa (PMDB) determinou o cancelamento da emissão e a apuração dos fatos.

O trabalho da Delegacia Fazendária continua sob segredo de Justiça, após o desembargador Pedro Sakamoto ter concedido. A assessoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ) informou que o desembargador não irá se pronunciar sobre a decisão, incluindo divulgar de quem partiu o pedido para o segredo de Justiça.





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