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Um pedido para ser atendido

Data: Quinta-feira, 30/09/2010 00:00
Um pedido para ser atendido

Fonte:gazetadigital/Foto:topnews

Está nas mãos do governo do Estado um pedido de prorrogação do período proibitivo de queimadas em Mato Grosso, para até o dia 15 de outubro. Na realidade o prazo terminaria hoje, mas como as condições climáticas continuam desfavoráveis, a extensão da data tem um caráter preventivo, para manter a situação de alerta. O decreto, encaminhado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), tem até hoje para ser assinado.

Não faltam motivos para esse pedido e vem em boa hora. Afinal, mesmo com as primeiras chuvas caindo em Mato Grosso, a situação é bastante complicada e muitos focos de queimadas continuam em diferentes regiões. Não há oficialmente um posicionamento com relação à prorrogação, porém o governador deve ter o bom senso de atender essa solicitação para que os órgãos ambientais continuem o trabalho de monitoramento, fiscalização e combate às queimadas.

Os números são muito preocupantes. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados pelo governo estadual apontaram a ocorrência de 3.646 focos de calor em Mato Grosso entre terça-feira (28) e quarta-feira (29). O maior número de focos foi registrado em Brasnorte (320), seguido de Poconé (176), Aripuanã (166), Colniza (165); Barrão de Melgaço (152) e Vila Bela da Santíssima Trindade (151). No município de São José do Xingu, os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram de terça-feira (28) para quarta-feira (29) 130 focos de calor e 130 no município de Pontes e Lacerda.

O balanço desde o início do ano até ontem aponta a ocorrência de 213.469 focos de calor em Mato Grosso. Os municípios com maior número de focos nesse período foram São Félix do Araguaia (11.226), Ribeirão Cascalheira (8.764), Cocalinho (7.910), Vila Rica (7.677), Paranatinga (7.658), Novo Santo Antônio (7.565), Confresa (6.171), Feliz Natal (5.546), Luciara (4.841), Juara (4 206), Tangará da Serra (4.044), Peixoto de Azevedo (4.022) e Gaúcha do Norte (3.914). No mesmo período do ano passado, os satélites do Inpe registraram 29.220 focos de calor no Estado.

Basta fazer uma pequena análise para se tirar a conclusão de que é preciso prorrogar a proibição e, mais do que isso, manter a vigilância para evitar que a devastação pelo fogo continue ocorrendo. A estiagem neste ano foi uma das mais longas das últimas décadas e os prejuízos ambientais são imensos, como é possível constatar com o exemplo do município de Marcelândia, que praticamente foi destruído ambientalmente e economicamente com o fogo que tomou conta da cidade, deixando centenas de pessoas desabrigadas e que hoje vivem de doações vindas dos mais diferentes pontos do Estado.

As chuvas começam a cair e logo as queimadas estarão controladas. Que sirva de exemplo para que, no próximo ano, finalmente as ações preventivas sejam feitas. Somente assim serão evitados os grandes prejuízos que, infelizmente, mais uma vez estamos constatando em Mato Grosso.