Fonte: Ailton Lima de Rondonópolis
A maior autoridade da Polícia Militar na região Sul de Mato Grosso, o coronel Valdivino Tavares Pimentel, comandante do IV Comando Sul, está sendo acusado de agredir fisicamente e manter sob cárcere privado por mais de oito horas, no quartel da unidade, a sua mulher Adriana Jesus Carvalho, de 29 anos de idade, que também é advogada. O fato teria ocorrido na sexta-feira (15), no gabinete do comandante que fica no interior do quartel. A mulher alega que ficou sob cárcere privado até as 20h daquele dia, quando então teria sido libertada.
A advogada registrou queixa na delegacia do Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) onde, por determinação do delegado regional Lauriberto Donizete de Godoy, foi atendida pela delegada de Defesa da Mulher, Juliana Carla Buzetti Hernandez.
Em seu depoimento, Adriana relatou que está casada com o oficial há cerca de seis anos, não tem filhos e esta teria sido a primeira vez que foi agredida pelo marido. Segundo o seu depoimento, o marido a teria agredido com tapas e empurrões, chegando inclusive a algemá-la, o que teria provocado escoriações em seus punhos e hematomas em seu corpo. A mulher teria, inclusive, desmaiado e, para reanimá-la, o oficial teria jogado água sobre o seu corpo.
Adriana relatou que sua relação com o marido era tranquila e não entende o porque da agressão. Após prestar depoimento no Cisc, a advogada foi submetida a exames de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML).
No sábado, Adriana Carvalho se deslocou para Cuiabá acompanhada por seu advogado. Ela disse, inclusive, que vai apresentar cópias da queixa, do inquérito e do exame de corpo delito ao comandante geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Lino Farias, ao secretário de Justiça e Segurança Pública, Diógenes Gomes Curado e ao governador Silval Barbosa, exigindo o afastamento imediato do oficial para que ele seja processado e preso. “Fui agredida, tenho meus direitos e vou buscá-los até o fim”, repassou.
A presidente do Conselho de Defesa da Mulher, Sandra Raquel Mendes, acompanhou o depoimento de Adriana Carvalho na polícia e ontem repassou à reportagem que estava indignada com os acontecimentos. “Acho um absurdo o que aconteceu com a Adriana e ela fez certo em denunciar. Nós, do Conselho da Mulher, recomendamos sempre, que seja mulher de oficial, de policial de político ou não, não importa, toda mulher ao ser agredida ou violentada tem que procurar a polícia e fazer a denúncia para que as providências sejam tomadas urgentemente. Eu estive acompanhando a Adriana no seu depoimento e o Conselho vai acompanhar este caso com bastante interesse. Nós vamos cobrar do secretário, do governador e do comando geral uma resposta para este caso e também para o caso do sargento que agrediu a funcionária dos Correios esta semana. Isso não pode ficar assim, tem que haver uma responsabilização e uma punição para os culpados”, declarou Sandra Raquel.