Fonte:24horasnews/blog/Sandra Carvalho
Duas crianças, com olhares tristes, tímidas, todas as noites são obrigadas pelo próprio pai a vender amendoim na noite cuiabana. E a exploração do trabalho infantil ocorre em estabelecimentos freqüentados por formadores de opinião, por pessoas pseudo-esclarecidas (inclusive os proprietários) que poderiam denunciar esse pai e não o fazem.
Até é admirável a disposição em trabalhar e ganhar seu sustento honestamente. Porém, obrigar dois filhos entre 7 e 9 anos, franzinos, olhares tristes, a perambular pela noite até altas madrugadas, entre um bar e um bar e outro, vendendo amendoim, me vi na obrigação de sair em defesa desses pequenos indefesos.
O que mais indigna, além do comportamento abominável do pai, é que ele age na noite sem ser incomodado. E ao invés de coibir a ação desse criminoso travestido de humilde trabalhador, donos e clientes de bares contribuem para ele continue praticando esta agressão contra as crianças.
Elas deveriam estar em casa, descansando, dormindo, estudando, assistindo TV, tudo menos sendo obrigadas a vender amendoim na noite cuiabana. A foto, mesmo desfocada, traz a imagem dele de uma das, vítima da exploração do trabalho infantil.
Ao que parece as autoridades fazem vistas grossas a este tipo de crime porque sempre vou à feira do Porto aos domingos e lá vejo crianças trabalhando em lanchonete – aliás, sem as míninas condições sanitárias. As crianças devem ser educadas para o trabalho, mas serem exploradas por adultos que poderiam estar produzindo ao invés de usá-las para ganhar seu sustento, não é aceitável.
Não é possível que o Conselho Tutelar, a Polícia, os proprietários dos estabelecimentos que permitem que esse vendedor de amendoim lá entre com seus filhos não se manifestem contra ele. Talvez trazendo à tona esta denúncia seja possível provocar as autoridades competentes, que muitas vezes compram o amendoim dessas crianças, alimentando o crime, ao invés de protegê-las.