Fonte:24horasnews/blog/ Sandra Carvalho
Exemplo de que ainda é preciso investir muito nos serviços de saúde mental em Mato Grosso ocorre em Porto Alegre do Norte, na região do Araguaia, a 996 km de Cuiabá, onde vive um jovem de 18 anos, filho da dona de casa Jucélia Araújo da Silva. Ele sofre de paralisia cerebral e há 13 anos não passa por uma consulta ao neurologista. Há também 13 anos que ele toma o mesmo medicamento.
O drama de Jucélia começou ainda quando o bebê estava em sua barriga. Por falta de assistência hospitalar no município, teve que ir às pressas para Vila Rica já em trabalho de parto. Após enfrentar 129 km de estrada sem asfalto, conseguiu dar à luz, porém o bebê sofreu uma lesão cerebral irreversível.
Agitado, até porque Jucélia acha que os medicamentos não estão mais surtindo efeito, o garoto tem dificuldade motora e para não ficar somente dentro de casa a mãe o coloca num cercadinho feito com alambrado no quintal. Só assim ela consegue cozinhar, lavar as roupas e limpar a casa. Jucélia nem trabalha fora há muitos anos porque toda a atenção deve ser dispensada ao garoto.
Abraçada ao filho, a mãe chora de tristeza por não poder garantir a ele uma condição de vida melhor. “Aqui na região não tem assistência. Já pedi ajuda na prefeitura, em todo lugar, pra conseguir levá-lo até Cuiabá ou outra cidade onde tenha um médico pra fazer exames e mudar os medicamentos. Eu não tenho para pagar as despesas e de ônibus não dá pra ele viajar”.
Apesar de parecer praticamente impossível uma solução para a situação de saúde do menino, a mãe diz ainda ter esperanças de conseguir uma consulta. Este provavelmente é apenas um de uma centena de casos semelhantes em Mato Grosso.