Fonte:Diario de Cuiaba/RENÊ DIÓZ
A edição de ontem do Diário Oficial da União (DOU) publicou a demissão e a destituição de 32 ex-servidores do Ibama em Mato Grosso acusados de envolvimento nos esquemas de fraudes e danos ambientais desmantelados na Operação Curupira, deflagrada em 2005 pela Polícia Federal (PF). Entre os demitidos estão o ex-gerente executivo do Ibama no Estado e ex-chefes de escritórios regionais do órgão.
As demissões e destituições são alguns dos últimos desdobramentos da Curupira, que além de acabar com um esquema robusto e antigo de corrupção ambiental na Amazônia, derrubou um secretário de Estado e transformou-se num marco político regional.
Após as investigações, o cumprimento de mandados de prisão e apreensão por parte da PF e as denúncias do Ministério Público Federal (MPF), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) enquadrou os 32 ex-servidores citados no DOU “por valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública e improbidade administrativa”. A maioria dos servidores estava locada em Cuiabá. Outros trabalhavam em Sinop, Pontes e Lacerda, Itaúba, Poconé, Cáceres, Aripuanã, Juara e Alta Floresta.
Por hierarquia, os principais servidores excluídos dos quadros federais (no caso, destituídos dos cargos comissionados) são o ex-gerente executivo do Ibama em Mato Grosso, Hugo José Scheuer Werle, e os ex-chefes dos escritórios regionais de Pontes e Lacerda, Cáceres e Juara – Dirceu Fidelis de Souza, Laércio de Souza Campos e Marco César Antoniassi, respectivamente. Além de improbidade administrativa, o registro das demissões enfatiza condutas de outros ex-servidores. O recebimento de propina, por exemplo, é atribuído a pelo menos nove pessoas das 32, todos ligados à liberação de Autorizações para Transporte de Produtos Florestais (ATPF) e laudos de vistorias falsos.
Também ligados à liberação de ATPFs e laudos falsos estão outros seis ex-servidores cujas condutas foram ainda mais detalhadas pelo MMA. Segundo o despacho no DOU, eles lesaram os cofres públicos, dilapidaram o patrimônio nacional, foram desleais, procederam de forma desidiosa e com conduta escandalosa, entre outros.
CURUPIRA – A quadrilha desbaratada pela Curupira era formada por mais de 200 pessoas, entre madeireiros e servidores públicos. O esquema consistia na falsificação de documentos para comercialização e transporte de madeira ilegal. Pelo menos 43 mil hectares foram desmatados, responsabilidade que recaiu também sobre o então presidente da extinta Fundação Estadual de Meio Ambiente, Moacir Pires, que foi preso.