Assessoria
As críticas feitas pelo secretário de Estado de Saúde, Pedro Henry, à gestão na saúde pública de Mato Grosso, irritou o Paiaguás durante essa semana e coube ao secretário-chefe da Casa Civil, Eder Moraes, aplicar o famoso "puxão de orelhas" no colega de trabalho. No entanto, em entrevista que circula neste domingo no jornal Diário de Cuiabá, Pedro Henry volta a dizer que sua atuação vai incomodar muita gente, e que muitos se enriquecem as custas da saúde pública em Mato Grosso, que precisa de apoio político para evitar que a saúde continue nas páginas sangrentas da mídia estadual e ainda teceu duras críticas ao seu antecessor, o que por tabela atinge as administrações de Blairo Maggi e Silval Barbosa. Disse ainda que sua votação o credencia a criticar.
Novamente, e no estilo "xerifão", Eder Moraes recomenda ao colega mais cautela na forma de se comunicar com a imprensa e justifica: "Pedro Henry é um homem público dotado de estilo próprio e proativo, porém, é necessário ter cautela ao falar da saúde pública em Mato Grosso. Criticar o antecessor, Augusto Amaral, não é correto, pois o Augusto veio do MT Saúde num momento crucial para o governo, assumiu a Secretaria em condições não muito favoráveis, mais honrou o seu papel de servir a sociedade de Mato Grosso com os instrumentos que lhes foram dados, num ano extremamente atípico, com as receitas públicas comprimidas pelos sucessivos atrasos de repasses pelo Governo Federal e ainda pelas regras eleitorais, onde muitos investimentos foram tolidos”, diz.
Moraes recorda do esforço fora do comum que foi feito no período para que o governo conseguisse manter os serviços essenciais. “É bom lembrar que a saúde pública tem uma gestão ‘tripartite’ que envolve União, Estado e Municípios e, na grande maioria dos serviços ofertados, o Estado desenvolve a atividade meio e não a atividade fim", explicou Eder. O secretário destaca ainda que Pedro Henry tem a perfeita noção de como é feita a política partidária e quanto as críticas podem incomodar os partidos da base aliada. “Na construção de um processo político não se pode causar cizânia interna e externa, é preciso ter cautela”.
O secretário da Casa Civil lembra que por iniciativa dele, autorizado pelo governador Silval Barbosa, foi instalada uma delegacia dentro do prédio da Secretaria de Saúde e já nos últimos 60 dias vinha acompanhando o processo de aquisições, onde nada poderia ser renovado sem a participação efetiva da Auditoria Geral do Estado e da própria delegacia, ou seja, a fim de combater formas viciosas e ilícitos contra o erário público onde houvesse indícios. “Portanto, transparência é o que o governo quer e rigor na condução das despesas de custeio e investimentos para que se possa investir mais com recursos oriundos da economia desejada em vários serviços prestados e aquisições de medicamentos”, frisou Eder.
Segundo ele, o governo sabe de todos os números de quanto se necessita para colocar em funcionamento o Hospital Metropolitano, Hospital da Criança, a possível retomada do Hospital Central e a destinação daquele imóvel, das necessidades estruturais dos hospitais regionais. “Sabemos ainda, essencialmente, como se procede a gestão por intermédio de Oscips e outros organismos de gestão e também os ralos que esses contratos podem apresentar. Agora, só podemos cobrir todo o corpo se o cobertor for na medida certa, do contrário temos que encolher o corpo e nos acomodar dentro do tamanho que nos foi dado. O que é imperativo nesse momento é a economia drástica e viável, e também fazer multiplicar os recursos da saúde na forma de convênios e projetos consistentes para busca de recursos em Brasília ou em parcerias público-privadas, e nisso sei que Pedro Henry é competente”, afirma o secretário da Casa Civil.
Para Moraes, o que se busca evitar é o mal estar dentro do staff, pois quando um colega começa a destilar críticas à própria gestão de continuidade, isso propicia um ambiente onde todos se sentirão no direito de criticar ex-colegas e, obviamente, seria o ápice da antiética e do autofagismo. “O critério de escolha do secretariado, com certeza, não é por votação direta, se fosse assim o chefe do Poder Executivo não teria sua autonomia plena. Já que ao ser votado e eleito por maioria da população, essa mesma população lhe confiou as escolhas. Tenho que cumprir com o meu papel de secretário-chefe e o farei sem obstáculos que não possa transpor. A obrigação de eficiência e de eficácia vale para todo o gestor público e para o governador Silval Barbosa todos os secretários de Estado terão tratamento igualitário, sem privilégios de forma ou distinção", finalizou Eder Moraes.