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Aripuanã: Reservas escondem tesouros

Data: Terça-feira, 25/01/2011 00:00
Aripuanã: Reservas escondem tesouros

Fonte: Gazeta Digital/Josana Salles

Unidades de conservação na Amazônia guardam riquezas ecológicas inestimáveis

De importância ecológica impressionante, com espécies da fauna e flora ainda desconhecidas da ciência, as unidades de conservação (UCs) estaduais Estação Ecológica do Rio Roosevelt e a Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt estão em fase de implantação.
No próximo mês, a Organização Não Governamental (ONG) World Wildlife Fund (WWF) e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) apresentam os planos de manejo para a comunidade de Aripuanã e os descendentes dos soldados da borracha, hoje ribeirinhos que vivem do extrativismo da borracha, castanha-do-brasil e sementes de copaíba. Esta é uma das regiões da floresta amazônica mato-grossense que mais desperta interesse de pesquisadores e de relevante importância para a conservação da floresta amazônica brasileira. Além disso, as áreas abrigam grupos de índios isolados em observação pela Fundação Nacional do Índio (Funai). As UCs complementam o Mosaico de Apuí (AM), um complexo de 9 unidades de conservação no estado do Amazonas, com cerca de 2.467.243,619 de hectares. Uma imensa área que já foi palco de uma das mais perigosas expedições do século 19, liderada por Theodore Roosevelt, ex-presidente dos Estados Unidos e o marechal e sertanista Cândido Rondon, em 1913.

Criada em 1997, com pouco mais de 80 mil hectares, a Estação Ecológica do Rio Roosevelt é uma unidade de conservação de alto grau de restrição, destinada apenas para pesquisas científicas, onde é proibida a presença de pessoas ou visitação pública. O que chama a atenção na unidade é o relevo residual, serras onde estão localizados domínios geológicos antigos, ligadas geologicamente às serras do Parque Nacional de Pacaás Novos, criado em 1979. A vegetação é de cerrado campinarana, uma espécie de savana amazônica. "São impressionantes e bastante desconhecidas", comenta o geógrafo e mestre em Ecologia, Gustavo Vasconcelos Irgang, um dos pesquisadores que participou das expedições e coordenador da avaliação ecológica feita na área pela WWF.

O pioneirismo destes estudos deve ser ressaltado até porque foram recolhidos para identificação exemplares da flora e da fauna não citados na literatura científica. Nesta situação estão 30 espécies de peixe, cerca de 300 aves e primatas. O mosaico de Apuí, formado por rochas proterozóicas e paleozóicas. A riqueza de espécies endêmicas desses locais também pode ter suas causas relacionadas à transição biogeográfica, bem como a sua heterogeneidade ambiental. Os rios que correm na área drenam o Planalto Cristalino (Escudo Brasileiro) e sua formação com corredeiras e cachoeiras é um dos tipos de ambientes-chave para sustentação da grande biomassa de peixes.

Numa expedição que durou 20 dias, os pesquisadores encontraram formações de campo rupestre, uma gênese similar do nível da floresta com um lajedo de pedra arenítica de 30 hectares. "O lugar é fantástico e possui grutas com inscrições rupestres indígenas, já no limite interno da reserva extrativista", diz Gustavo.

A Reserva Extrativista dos Rios Guariba e Rooselvet foi criada pelo governo do Estado em 1999, com 57.630 hectares e 281 ribeirinhos que nasceram ou se criaram às margens dos dois rios. Eles se alimentam de peixes, caça e da roça e possuem costumes tradicionais dos primeiros moradores não índios da região, os soldados da borracha que ocuparam a Amazônia no final do século 19.

A bióloga e especialista em unidades de conservação da Sema Fátima Sonoda conta que a proposta é viabilizar a atividade extrativista destas comunidades para que qualquer outro tipo de ação predatória não se instale no local. "Já conseguimos uma parceria com a empresa Michelin que doou material e está comprando, por um bom preço, a borracha extraída. Também em parceria, conseguimos com o Global Enviroment Facility (GEF) recursos para a construção de um barracão com secadora para a produção de castanha-do-brasil", disse.