Fonte: Marcelo Guedes/Rádio Metropolitana FM
As dificuldades de acesso e a falta de transporte escolar estão entre os fatores que vem contribuindo para a evasão escolar no Instituto Federal de Juína (IFMT). Segundo o Professor Márcio Gonçalves dos Santos, Diretor de Ensino, em entrevista exclusiva à Rádio Metropolitana FM, até o ano passado a Prefeitura fazia o transporte, porém nesse ano não será possível e uma empresa terceirizada foi contratada para levar os alunos até o campus, o que infelizmente irá onerar o bolso do estudante.
“Nós fizemos um estudo no ano passado com os alunos evadidos para ver quais eram os principais motivos que fizeram com que eles deixassem o instituto federal. Nós encontramos alguns casos em que o problema maior é a questão de acesso. Uma por que a estrada é de condição bem ruim, principalmente nessa época de chuva, e também pela distância do Campus com a cidade, já que alguns alunos moram no Módulo 6 e precisam sair de casa às 05h50 para que possam chegar no horário do início das aulas, que é 07h”, colocou.
Perguntado se o Campus do IFMT de Juína possui recursos para oferecer transporte escolar aos alunos, Professor Márcio informou que não há verba para isso, porém o mesmo adianta que em 2010 uma parceria foi firmada com a Prefeitura de Juína em que ela disponibilizou dois ônibus. Já nesse ano de 2011 a turma dobrará e serão necessários, no mínimo, quatro ônibus percorrendo a linha em cada período.
“A Prefeitura alegou que não tem disponibilidade de ônibus, de recursos humanos para fazer esse transporte, o mesmo porque ela não recebe verba para fazer esse transporte para instituições federais. O instituto também não recebe essa verba federal para fazer o transporte e tivemos que viabilizar com uma empresa que faz o transporte urbano em Juína, no caso a Viação Juína, que irá disponibilizar ônibus para fazer esse transporte”, frisou.
Apesar dessa “viabilidade”, o transporte será cobrado do aluno que terá que desembolsar o valor de R$ 1,25 (Um real e vinte e cinco centavos) por trecho, ou seja, o aluno irá pegar o ônibus no Módulo 6 e será encaminhado até a o IFMT e pagará R$ 1,25 (Um real e vinte e cinco centavos). Se ele tiver que voltar para almoçar em casa terá que pagar mais R$ 1,25 (Um real e vinte e cinco centavos).
Serão disponibilizados no site do IFMT (www.jna.ifmt.edu.br) os locais onde a Viação Juína comercializará o Vale-Transporte para que os alunos comprem antes do início das aulas.
Apesar do Instituto não possui recursos para investir no transporte dos alunos, o Campus recebe mensalmente um montante para a assistência estudantil, diante disso será estudada a possibilidade de ofertar bolsas para aqueles alunos com maior dificuldade financeira, custeando assim o transporte escolar.
“Mas isso só será possível à medida que nós tivermos a liberação do recurso, quando nós soubermos qual é o valor que nós temos disponibilizado para essa função e ai agente vai fazer esse levantamento e ver quantos alunos nós poderemos atender”, ponderou.
Procuramos o Prefeito de Juína, Altir Peruzzo, para que o mesmo pudesse esclarecer a questão do transporte de alunos para o IFMT. Segundo ele, a legislação estabelece que o Ensino Fundamental é de responsabilidade do município e para que isso ocorra tem que gastar no mínimo 25% da sua receita. Já atender o Ensino Médio e Superior sai da esfera do município, e cabe ao Estado de Mato Grosso e Governo Federal arcarem com esse transporte.
Altir salienta que em alguns casos até acontece o transporte em parceria com o estado já que as mesmas linhas que levam alunos para as Escolas Municipais também levam para as Estaduais. Nesse caso o Estado auxilia financeiramente, diferente do IFMT onde o Governo Federal não envia qualquer recurso para esse transporte que é realizado em uma linha específica.
Na intenção de colaborar, o Prefeito Altir informa que há a intenção de buscar junto ao Governo Federal recursos para que se viabilize esse transporte. “Há uma intenção de buscar com o apoio dos pais, da direção, da câmara, buscar intervir junto ao Governo Federal para tentar fazer com que o Instituto Federal possa viabilizar um auxílio no transporte, porém a Prefeitura não tem essa possibilidade, já que não faz parte da área que lhe cabe, além de não ter condições financeiras e nem de veículos para poder manter esse transporte”, enfatizou.
Altir falou ainda sobre a manutenção da estrada de acesso ao Campus, que nessa época das chuvas está em condições precárias, conforme foi flagrado por nossa equipe de reportagem e pode ser observado na foto acima. Ele informa que no ano passado foi realizado um trabalho intenso de recuperação de estradas, porém não conseguiu chegar à situação ideal para que o período das chuvas possa ser transpassado com tranqüilidade.
Ele coloca que é inevitável que nesse período de chuvas mais intensas que se estenderá até o final de fevereiro, haja dificuldade com estradas, principalmente nesse trecho de acesso ao IFMT e ao setor de chácaras do setor industrial. “O que pode ser feito é que antes de começar o período das aulas será feita uma recuperação e procurar ir fazendo a manutenção para garantir o mínimo de tranqüilidade no tráfego até agente chegar ao período da seca novamente onde agente pretende fazer um cascalhamento mais intenso e fazer uma recuperação com maior capacidade de se manter quando vier o próximo período da chuva”, disse.
Quanto a uma possível pavimentação do trecho, o Prefeito Alcir ressaltou que há uma discussão travada com deputados e o próprio Governador Silval Barbosa antes das eleições onde foi proposta a pavimentação, inclusive com pré-projeto elaborado com levantamento dos custos e tudo. Porém não há recurso definido para essa obra que está orçada em aproximadamente R$ 3,5 milhões. A tentativa é buscar recursos junto aos Governos Estadual e Federal com contrapartida da Prefeitura Municipal de Juína.
Grande parte do valor orçado na pavimentação do acesso será investido nas obras de arte, o que garantirá que o asfalto tenha durabilidade. “Eu tenho certeza que isso não vai demorar muito, também não dá para imaginar que já nesse ano vai resolver, que com certeza não vai resolver. Se agente conseguir iniciar alguma coisa nesse próximo ano acredito que já está de bom tamanho”, finalizou.