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Tanto lá em Brasília como aqui em MT vamos ter de agüentar dois anos de Josés: Por Daniel Lopes

Data: Segunda-feira, 14/02/2011 00:00
Tanto lá em Brasília como aqui em MT vamos ter de agüentar dois anos de Josés: Por Daniel Lopes

Por Daniel Lopes

Agora que já passaram alguns dias da eleição da mesa diretora da Assembléia Legislativa de MT, e que todos os sites e a mídia amestrada ou não já expressaram seus pontos de vista, podemos iniciar as apostas para ver quanto tempo levará ate que aquele local produza alguma nova decepção ou escândalo de corrupção.
 
É claro depois que as pessoas de bem deste estado digerirem a indigesta composição eleita para comandar o nosso legislativo estadual, onde 22  deputados preferiram mais do mesmo, um se acovardou  e  a única a votar contra foi vaiada;  isto mesmo foi vaiada por querer que nosso legislativo estadual tenha respeito.
 
Foi deprimente ver a justificativa do deputado Percival Muniz ao se abster de votar, e acalentador ver a altiva Luciane Bezerra votar contra a eleição dos mesmos de sempre. Dentre os deputados estaduais que ocupam esta legislatura, alguns novatos, alguns evangélicos e um apresentador de TV de um canal amestrado, que é muito falastrão na TV com bandidos pé de chinelo, mas que nunca disse uma só palavra  contra o descarado fosso de corrupção que impera naquele poder.
 
Os ditos evangélicos que ocuparam ou ocupam um dos cargos de deputado também convenientemente esquivam-se de pregar a moralidade, ignorando que sendo eles evangélicos devem se posicionar contra a corrupção, ao menos em cumprimento ao 8º mandamento de Deus. Acredito que um deputado que se diz evangélico ao votar na atual diretoria da assembléia esta desonrando sua condição de credo.  A democracia é a única forma tolerável de reger uma sociedade, portanto devemos aceitar a vontade da maioria, mas é preciso ainda assim ter o mínimo de bom senso e respeito com a ética.
 
O deputado que preside a assembléia de MT hoje, foi democraticamente eleito, sendo inclusive campeão de votos, mas seria mais ético e mais saudável  para o parlamento estadual ter outro deputado presidindo aquela casa, pois esse era o desejo da sociedade. Os deputados ao elegerem a atual mesa diretora, viraram as costas para o povo e novamente deixaram de lado a chance de iniciar um longo processo de resgate da credibilidade daquela casa.
 
Tornaram-se novamente um bando de Caititús de cabeça baixa a seguir seu multi processado líder, agora incluindo o que se absteve, que parece ter amarelado. O que parece é que existe uma espécie de crença de que o único capaz de “conduzir” o poder legislativo estadual é o atual presidente, fato que por si só é triste, pois veladamente quer dizer que os outros se declaram incompetentes para presidirem aquela casa. Uma lástima.
 
Às vezes dá um frio na espinha ao lembrar as palavras quase proféticas do agora palhaço deputado Tiririca, que na campanha dizia que pior do que estava não ia ficar. Ficou.  Hoje tristemente podemos constatar que tanto no legislativo estadual como no federal as coisas pioraram e muito, fazendo-nos acreditar que este atual congresso conseguiu a façanha de se compor pior do que o anterior.
 
Hoje vale aquela máxima de que dentro de uma fossa não existe lugar mais ou menos contaminado, mas sim um ajuntamento de bactérias nocivas que destroem organismos. No caso do congresso, destroem a esperança de um parlamento que verdadeiramente zele pelo povo, legislando em prol dele. Convenientemente elegeram o nefasto José Sarney, que representa tudo de ruim que o Brasil já conheceu na política, e na Câmara um deputado vassalo do PT, querendo cada vez mais firmar a crença que o poder legislativo federal existe para beijar a mão do executivo e não para fiscalizá-lo, pondo freio em seus ímpetos.
 
Tanto lá em Brasília como aqui em MT vamos ter de agüentar dois anos de Josés, porque os que foram eleitos para representar o povo se acovardaram e preferiram não terem problemas para escolher suas fatiazinhas de poder. Se olharmos com calma a ficha de cada deputado estadual aqui em MT, e dos 513 deputados federais, veremos todas as classes ali representadas, a classe dos médicos, dos madeireiros, dos pecuaristas, dos donos de hospitais, dos banqueiros, dos sojicultores, dos jogadores de futebol, e agora até dos palhaços.
 
Só uma classe não tem representantes nestas duas casas. O povo.
 
Daniel Lopes é ex-morador de Porto dos Gaúchos e atualmente reside em Cuiabá