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De intempestividade: por Eduardo Gomes

Data: Domingo, 20/02/2011 00:00

Eduardo Gomes

Irresistível pela magia da paisagem às suas margens e perigosa como sempre a rodovia BR-364 era imenso congestionamento de carretas e bitrens lentos na subida e desafiadores na descida. O vaivém dos veículos pesados parece cruzamento de interminável composição ferroviária. Em meio ao incessante balé sobre rodas demorei três horas e quinze minutos para percorrer 188 km entre o Distrito Industrial de Cuiabá e o trevo do antigo aeroporto de Rondonópolis na tarde de sexta-feira.

Avalio que muitos usuários da BR-364 sonham com sua duplicação no trecho citado. Acredito que o projeto para tal obra tenha paternidade política plural. Porém, discordo dessa ideia, pelo menos até que a infraestrutura de Mato Grosso deixe de se caracterizar por fortes contrastes como o isolamento de Rondolândia e a duplicidade de acesso pavimentado a Rosário Oeste (pela BR-364/163 e MT-010). Esse posicionamento não se traduz em oposição à rodovia que é a principal porta de acesso ao universo da Terra de Rondon e corredor de escoamento de commodities. O mantenho em nome da isonomia que deve nortear a política municipalista e ao mesmo tempo porque creio na repaginação da matriz de transporte terrestre nos próximos dois anos – período muito curto para duplicar o citado trecho.

Creio que se ao invés de duplicar a BR-364 o governo investisse em outras rodovias - o recurso que seria destinado a essa obra - haveria melhor aproveitamento. É muito mais lógico e justo pavimentar a ligação de Alta Floresta com Cotriguaçu, ou de Matupá com Confresa, ou ainda de Castanheira com Aripuanã/Colniza do que investir na duplicação no trecho de Cuiabá com Rondonópolis.

Tenho certeza que na virada de 2012 para 2013 o trem da ALL apitará em Rondonópolis, que as composições da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FIC) embarcarão grãos no bolsão de Sorriso/Lucas/Mutum e que a Cuiabá-Santarém estará asfaltada até o Marco Zero à margem do rio Tapajós ao lado do porto da Cargill. Quando isso ocorrer haverá a repaginação do transporte, o que esvaziará a BR-364 no trecho ora fervilhante. Mais: é previsível o aumento do escoamento de grãos do Chapadão do Parecis pela Hidrovia Madeira-Amazonas.

Portanto, em dois anos a BR-364 reconquistará a boa trafegabilidade que foi sua marca nos anos 1970 e começo da década de 1990, porque haverá redução do tráfego diário de aproximadamente nove mil possantes. Este tema tem que chegar à Assembléia e aos congressistas antes que a intempestividade se sobreponha ao uso da razão.

Eduardo Gomes é jornalista

eduardo@diariodecuiaba.com.br