Fonte: Gazeta Digital/Josana Salles
Projeto da UFMT apresenta uma grande biodiversidade na região com algumas descobertas inéditas.
A Amazônia Meridional mato-grossense tem sido foco de expedições e trabalhos científicos desenvolvidos através do projeto Conhecimento da Biodiversidade da Amazônia Meridional, coordenado por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Nos próximos meses, as primeiras listagens faunísticas e florísticas serão publicadas no livro "Descobrindo a Amazônia Meridional: Biodiversidade da Fazenda São Nicolau". A publicação é resultado de duas grandes expedições científicas que envolveram cerca de 35 profissionais e estudantes de biologia em 2009 e 2010. Descobertas inéditas de novas espécies da fauna e flora surpreendem a cada investida na floresta, trazendo à tona o retrato de uma Amazônia preservada e por isso com a maior diversidade de fauna do Brasil. " A biodiversidade na região é beta, a cada quinhentos metros que caminhamos na mata, nos deparamos com coisas novas", diz o professor e pesquisador Tiago Izo, do Instituto de Biociências da UFMT.
Expedições, aulas e cursos de campo do Mestrado em Ecologia da UFMT vêm sendo desenvolvidas na fazenda São Nicolau, no município de Cotriguaçu. A área possui cerca de 7 mil hectares de floresta nativa e em torno de 2 mil hectares de pastagens que vem sendo reflorestada desde 1999 através do projeto Poço de Carbono Peugeot, operado pela Office National des Forêts (Escritório Nacional das Florestas) - ONF Brasil, a estatal francesa encarregada da gestão das florestas. Com mais de 11 milhões de hectares, a ONF é um dos mais importantes gestores de florestas públicas do mundo.
Os resultados das expedições científicas da UFMT estão mostrando uma nova comunidade da fauna da Amazônia mas, no futuro, irá relevar o passado da Amazônia, responder a dúvidas como a tese de que em determinadas áreas o homem da pré-história pode ter feito reflorestamentos.
Outra linha de estudo é com relação as áreas reflorestadas. Depois de fazer um amplo levantamento da floresta nativa existente na fazenda, os pesquisadores vão investigar como se comporta a fauna nos talhões com reflorestamentos diversos. "Queremos verificar se estas áreas reflorestadas recompõem a fauna antes existente. Será que os animais retornam à aquele espaço?", pergunta o ecólogo Tiago Izo. "Mais do que isso, é conhecer a Amazônia e entender como ela se distribui ao longo desta região".
Pesquisas e trabalhos acadêmicos da universidade mato-grossense estão surpreendendo pela quantidade de espécies da fauna e flora encontradas na fazenda São Nicolau, muitas não registradas, algumas coletadas na Amazônia brasileira pela primeira vez, outras ameaçadas de extinção e muitas delas apenas registradas nesta região (endêmicas). Estudos que podem levar uma década por causa da imensidão de florestas que envolvem basicamente os municípios de Cotriguaçu, Alta Floresta, Aripuanã e Juruena.
"Localizamos uma biodiversidade muito grande que nos permitiu fazer listas faunísticas que serão agora publicadas neste primeiro livro", disse o coordenador do projeto, professor Roberto de Moraes Lima Silveira. A próxima expedição será no final deste mês com uma média de 35 pesquisadores que permanecem por mais de 20 dias na fazenda São Nicolau. O próximo local a ser estudado será o Parque Estadual do Cristalino já com licença concedida pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).