NOTÍCIAS

Rikbaktsas se revoltam após indígena ser baleado em propriedade rural de Juína

Data: Segunda-feira, 14/09/2020 11:01
Fonte: JUÍNA NEWS
O jovem de 24 anos retornava para a aldeia depois de ter vindo ao município fazer compras, segundo informações dos índios
Rikbaktsas se revoltam após indígena ser baleado em propriedade rural de Juína

Os indígenas Rikbaktsas se reuniram em frente à sede da Funai de Juína/MT e pediram explicação e punição no caso em que um indígena foi baleado numa propriedade rural do município na madrugada da última quinta-feira, dia 10 de setembro.

Aproximadamente 30 indígenas manifestaram pacificamente em frente ao órgão. Eles pediram ajuda à Funai.  Segundo o índio Pudata Rikbaktsa, o motivo da revolta é que a vítima baleada foi pedir uma ajuda numa chácara na beira da estrada e simplesmente o cidadão pegou e alvejou ele com tiros. "Nós ficamos pensando né muita gente vai na beira do rio pescando, será que nós teremos que fazer isso também entendeu? Então uma pergunta: Por que as autoridades não tomaram providência, a própria polícia?  Nós estamos revoltados com isso estamos muito preocupados com essa situação com o jovem que foi alvejado sem poder se defender, por que o cara também não prestou socorro simplesmente atirou e acho que não precisava disso. Estamos deixando bem claro se mais uma vez isso acontecer ai nós também somos obrigados a fazer do mesmo jeito, de vez em quando vão invadir a nossa terra para pescar, caçar e muitas vezes não fizemos isso simplesmente nós respeitamos e nós vamos ter que procurar essas autoridades para que nos informem” – relatou.

O coordenador da Funai informou a nossa equipe de reportagem que não pode conceder entrevista, ele foi cobrado pelos indígenas para que acompanhe o caso. "Se a Funai não tomar providência, nós tomaremos a nossa providência " comentou Pudata. Ele também afirmou que segundo familiares da vítima ela está se recuperando bem no hospital e que a própria Funai já foi visitá-la.

Para o cacique Jaime Rikbatsa, independente do que seja, o tiro não justifica." Você já pensou se essa moda pega, quantos amigos brancos que nós temos e vão pescar na reserva e quantos pescadores fraudam peixes dentro da reserva, será que toda noite que vamos fiscalizar terra indígena e vamos chegar atirando? Por que ele atirou? Se ele foi pedir ajuda não deveria ter ajudado? Ou com a própria arma chegar nele e perguntar o tipo de ajuda que ele queria? E não chegar atirando chamando o cara de bandido.  Ele não é bandido, o histórico dele dentro da comunidade é tranquilo. Nós queremos justiça acredito que a Funai vai estar apoiando se a polícia não esclarecer o fato real nós vamos ter que resolver da nossa forma"- concluiu o cacique.

O site Juína News divulgou em reportagem anterior, que o homem que atirou no indígena é um vaqueiro, de 43 anos, que foi localizado pela polícia civil. Ele relatou que na madrugada viu uma pessoa correndo em direção ao transformador e se escondeu, e nesse momento disparou dois tiros na área que estava escura e após isso não ouviu mais nenhum barulho na propriedade e entrou.

Segundo a polícia civil, a arma de fogo é registrada, e o vaqueiro vai responder por crime de lesão corporal grave.

O caso

O caso foi registrado na madrugada desta quinta-feira (10/9) quando o indígena foi atingido por disparos de arma de fogo próximo ao projeto desafio jovem Ebenezer, que fica um pouco mais de 20 km de Juína, MT.

À PM, o índio relatou, que estava de motocicleta quando o veículo estragou, ele foi pedir ajuda numa propriedade quando acabou sendo baleado. Depois foi até outra casa e pediu ajuda ao proprietário que o socorreu trazendo para a unidade de saúde.