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Funai fornece apoio logístico para escoamento da produção indígena de castanha em Rondônia

Data: Quarta-feira, 22/12/2021 07:32
Fonte: Assessoria de Comunicação/ Funai
Funai fornece apoio logístico para escoamento da produção indígena de castanha em Rondônia

unidade descentralizada da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Cacoal (RO) tem fornecido apoio logístico para escoar a produção de castanha-da-Amazônia realizada por indígenas da etnia Cinta Larga. Com uma estimativa de produção de 400 toneladas na safra 2021-2022, a coleta deve mobilizar cerca de 1,2 mil indígenas em castanhais nativos de cinco Terras Indígenas: Igarapé Lourdes, Parque Aripuanã, Rio Branco, Roosevelt e Zoró.

Sob a coordenação da Cooperativa Extrativista de Castanhas Indígenas (Coocasin), a coleta e o beneficiamento da castanha geram emprego para cerca de 280 famílias indígenas que garantem sua renda com a comercialização do produto para os estados de São Paulo, Santa Catarina e Goiás, além dos municípios de Rondônia. Em outubro de 2020, pela primeira vez desde sua criação em 2018, a Coocasin forneceu castanha-da-Amazônia para o Programa Estadual de Aquisição de Alimentos (PAA) do estado rondoniense. À época, produtores indígenas venderam cerca de 3 toneladas de castanha ao programa.

De acordo com o coordenador regional da Funai em Cacoal, Sidcley José Sotele, praticamente 70% do escoamento da produção da castanha é realizado pela Funai. “Em algumas aldeias, a produção de castanha é a única fonte de renda das comunidades. Em outras, é uma das principais. Além disso, as aldeias que realizam a coleta da castanha são as que apresentam o menor índice de desmatamento. Se apoiarmos essa atividade produtiva e revertermos isso em renda, estamos ajudando o meio ambiente. Onde há castanhais, os madeireiros não entram”, ressalta Sotele.

Etnodesenvolvimento

Para o presidente da Funai, Marcelo Xavier, a etnia Cinta Larga soube desenvolver a atividade extrativista de forma a conciliar o ganho econômico com a preservação da floresta no território indígena. “É importante reconhecer a integração entre atividade sustentável, geração de emprego e renda e qualidade do produto. A conservação da floresta também agrega valor à castanha, o que confirma a força de projetos sustentáveis realizados pela comunidade indígena”, afirma Xavier.

No início deste mês, a Coordenação Regional de Cacoal realizou o transporte de um secador industrial entre as cidades de Toledo (PR) e Ji-Paraná (RO) para sua instalação na sede da Coocasin. Adquirido pela cooperativa ao custo de R$ 29,9 mil, o equipamento vai beneficiar famílias das etnias Cinta larga, Gavião e Zoró. Sotele reforça que o novo secador deve proporcionar mais praticidade e qualidade na produção da castanha. "A cooperativa vai triplicar o beneficiamento da produção, pois as castanhas serão secas em um período entre 12 e 16 horas. Na estufa, a secagem levava até 12 dias”, pontua.

Apicultura

Em novembro deste ano, cinco famílias da etnia Cinta Larga começaram a participar da fase de testes de um projeto de apicultura desenvolvido na Terra Indígena Parque do Aripuanã, Rondônia. A Funai apoia a iniciativa por meio da aquisição de insumos, instalação das caixas das colmeias, transporte e instalação das melgueiras, com atuação direta da Coordenação Regional da fundação em Cacoal.

José Sotele lembra que a relação dos Cinta Larga com a prática da coleta do mel já ocorria de forma tradicional como fonte de alimento. “Diante do notável entusiasmo dos indígenas com o projeto, vamos aproveitar esse conhecimento ancestral para profissionalizar a atividade produtiva da apicultura nas aldeias. Por isso, iniciamos o projeto na aldeia Tenente Marques com a instalação de 10 caixas de abelhas. Como é um projeto piloto, pretendemos estendê-lo às demais aldeias da etnia Cinta Larga na Terra Indígena Parque do Aripuanã”, afirma.

Cafeicultura indígena

Já a produção de café especial consolida-se como uma das principais atividades produtivas entre as comunidades indígenas de Rondônia. Cerca de 132 famílias indígenas produtoras da variedade robusta amazônico comercializam a sua produção de café por meio do Projeto Tribos, fundamentado em um tripé que engloba protagonismo indígena, produção sustentável de café e proteção da floresta. Realizada dentro do conceito de agricultura familiar, a cafeicultura indígena recebe apoio da Funai, Embrapa Rondônia, Emater-RO, Secretaria de Agricultura de Alta Floresta D'Oeste e Câmara Setorial do Café.

Confira o vídeo do presidente da Coocasin, João Paulo Cinta Larga, sobre o apoio da Funai aos produtores indígenas de castanha-da-Amazônia.