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Povos do Rio Juruena avançam na gestão de seus territórios em Mato Grosso

Data: Domingo, 11/01/2026 09:57
Fonte: CENÁRIO MT/ Dayelle Ribeiro
A iniciativa vai muito além de receber visitantes; trata-se de um modelo focado na valorização da identidade cultural e na proteção ambiental.
Povos do Rio Juruena avançam na gestão de seus territórios em Mato Grosso

Os povos indígenas da bacia do Rio Juruena, no noroeste de Mato Grosso, consolidaram em 2025 passos decisivos para a proteção ambiental e a sustentabilidade econômica de suas terras. Através do projeto Berço das Águas, realizado pela OPAN com patrocínio da Petrobras, os povos Apiaká e Rikbaktsa estruturaram instrumentos de governança que fortalecem sua cultura e garantem o monitoramento de áreas ricas em biodiversidade.

Enquanto os Apiaká celebram a conclusão do seu Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), os Rikbaktsa transformam o turismo de base comunitária em uma ferramenta de preservação e geração de renda, mostrando que a floresta em pé é o ativo mais valioso da região.

Após terem seu território declarado pelo Estado em 2024, os Apiaká finalizaram em 2025 a elaboração do PGTA da Terra Indígena Apiaká do Pontal e Isolados. O documento é um instrumento de luta política que organiza diretrizes sobre saúde, educação, vigilância e soberania alimentar.

Um diferencial do processo foi o diálogo com vizinhos Munduruku, Kayabi e comunidades ribeirinhas, além de órgãos como Funai e ICMBio. Em março de 2026, o plano passará pela validação final na aldeia Pontal. Segundo o cacique Robertinho Morimã, o plano representa a retomada da autonomia sobre o território e a construção de alianças estratégicas para a gestão compartilhada da área.

O povo Rikbaktsa iniciou a implementação prática do turismo de base comunitária em dois de seus três territórios (Japuíra e Escondido). A iniciativa vai muito além de receber visitantes; trata-se de um modelo focado na valorização da identidade cultural e na proteção ambiental.

Destaques da implementação:

  • Gastronomia Tradicional: Oficinas de culinária criaram cardápios baseados em ingredientes locais, unindo segurança alimentar e geração de renda.
  • Observação de Aves: O ornitólogo Dalci Oliveira registrou 221 espécies de aves em poucos dias, incluindo aves raras e ameaçadas, posicionando o território como destino de elite para o turismo científico mundial.
  • Roteiros de Imersão: Foram criadas trilhas por castanhais e percursos fluviais que conectam os jovens às narrativas históricas e cosmológicas de seus ancestrais.
  • Protocolos de Conduta: A criação de normas claras garante que o turismo ocorra com baixo impacto e máximo respeito às tradições indígenas.

O projeto Berço das Águas entra em sua quarta edição em 2026. O foco para o novo ciclo será a intensificação do monitoramento territorial e a proteção contra invasões, além do fortalecimento das cadeias de valor da sociobiodiversidade. Essas ações são essenciais para manter o equilíbrio ecológico de uma região considerada vital para a regulação hídrica e climática de Mato Grosso e da Amazônia.