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Brasil consolida posição de segundo maior exportador de algodão

Data: Terça-feira, 20/01/2026 10:47
Fonte: AGROIN
O relatório de janeiro do USDA elevou a produção mundial de algodão para 112,9 milhões de fardos, impulsionado pelo crescimento da safra na China.
Brasil consolida posição de segundo maior exportador de algodão

O mercado internacional de algodão iniciou o ano de 2026 com indicadores de estabilidade, após um período de volatilidade no encerramento do ciclo anterior. Na Bolsa de Nova Iorque (ICE), os contratos de primeira posição apresentaram uma valorização de 2,9% em dezembro de 2025, fechando o mês cotados a 72,8 centavos de dólar por libra-peso. Na primeira quinzena de janeiro, os preços mantiveram-se praticamente inalterados, com uma leve variação negativa de 0,1%.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou, em seu relatório de janeiro, os principais números da pluma para a temporada 2025/26. A produção mundial foi ajustada para 112,9 milhões de fardos, um aumento de 0,2% em relação à estimativa de dezembro. Esse crescimento decorre da revisão positiva na safra da China, que compensou as reduções observadas em outros países produtores.

A China, principal player do setor têxtil global, teve sua produção elevada para 27,5 milhões de fardos. O USDA também ajustou para cima o consumo chinês, agora estimado em 39,5 milhões de fardos, e os seus estoques finais, que atingiram 38,4 milhões de fardos. Esse acúmulo de reservas no gigante asiático sinaliza uma estratégia de segurança no suprimento para as suas indústrias internas.

Balanço Global de Algodão (2025/26): Produção Mundial: 112,9 milhões de fardos Consumo Mundial: 115,7 milhões de fardos Estoques Finais: 83,3 milhões de fardos

O consumo mundial de algodão apresenta uma trajetória de recuperação, estimada em 115,7 milhões de fardos para o ciclo atual. Esse volume supera a produção total pelo segundo ano consecutivo, o que resulta em uma redução gradual dos estoques globais de passagem. Entretanto, a concentração dessas reservas na China limita o impacto de alta nos preços internacionais, mantendo as cotações em patamares moderados.

Nos Estados Unidos, a safra enfrenta desafios produtivos significativos. O USDA manteve a estimativa da colheita norte-americana em 12,1 milhões de fardos, um dos volumes mais baixos das últimas temporadas. A menor disponibilidade de pluma para exportação nos EUA abre espaço para que outros fornecedores, como o Brasil e a Austrália, ocupem fatias maiores do mercado internacional.

O Brasil consolidou sua posição como o segundo maior exportador mundial de algodão no fechamento de 2025. O país embarcou volumes recordes, aproveitando a lacuna deixada pela quebra de safra nos Estados Unidos. A competitividade da pluma brasileira, aliada aos padrões rigorosos de qualidade e rastreabilidade, garante a preferência de fiações na Ásia e na Turquia.

A produção brasileira para a safra 2025/26 foi mantida pelo USDA em 16,7 milhões de fardos. No mercado interno, o preço do algodão seguiu a tendência de Nova Iorque. Na praça de Rondonópolis (MT), a arroba da pluma registrou alta de 2,2% em dezembro. Já na paridade de exportação nos portos nacionais, a valorização foi de 3,4% no último mês, sustentada pelo câmbio.

Principais Produtores de Algodão (2025/26):

  1. China: 27,5 milhões de fardos

  2. Índia: 24,5 milhões de fardos

  3. Brasil: 16,7 milhões de fardos

  4. Estados Unidos: 12,1 milhões de fardos

As lavouras de algodão no Mato Grosso e na Bahia, principais polos produtores do país, apresentam desenvolvimento satisfatório. O plantio da safra 2025/26 avançou dentro da janela ideal na maioria das regiões. O uso intensivo de biotecnologia e o manejo eficiente de pragas, como o bicudo-do-algodoeiro, permitem que o Brasil mantenha índices de produtividade entre os mais elevados do mundo.

O custo de produção para o ciclo atual exige atenção dos cotonicultores. Embora os preços de alguns fertilizantes tenham estabilizado, os defensivos químicos e a logística de transporte continuam pressionando as margens. A estratégia de comercialização antecipada tem sido utilizada pelos produtores para travar custos e garantir a rentabilidade diante da estabilidade dos preços de venda.

A demanda por fibras naturais enfrenta a concorrência direta dos materiais sintéticos, como o poliéster. O diferencial do algodão reside na sustentabilidade e no conforto, atributos valorizados por marcas de moda globais. O programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) certifica a maior parte da produção nacional, atendendo às exigências socioambientais dos mercados europeu e norte-americano.

Os estoques finais globais, excluindo a China, permanecem em níveis ajustados. Essa configuração do mercado sugere que qualquer interrupção na oferta das principais origens exportadoras pode gerar repiques de preços. A logística portuária brasileira, apesar dos avanços, ainda enfrenta gargalos em períodos de pico de exportação de soja e milho, o que demanda planejamento das tradings.

A Índia, segundo maior produtor mundial, mantém uma estimativa de colheita de 24,5 milhões de fardos. Grande parte dessa produção é absorvida pelo seu enorme parque têxtil doméstico, limitando o excedente exportável indiano. Esse cenário favorece o Brasil na disputa pelo fornecimento de pluma para outros países importadores do Sudeste Asiático, como Vietname e Bangladesh.

As cotações da pluma na Bolsa de Nova Iorque operam em um canal lateral, aguardando novas sinalizações sobre o crescimento económico global e as taxas de juro. A confiança dos consumidores em economias centrais impacta diretamente o retalho têxtil e, consequentemente, a procura por fardos de algodão pelas indústrias de fiação.

O encerramento do primeiro mês de 2026 confirma o Brasil como um fornecedor confiável e estratégico. A capacidade do país em entregar grandes volumes com qualidade padronizada estabelece um diferencial competitivo no longo prazo. O setor de algodão finaliza este período com indicadores que apoiam a manutenção da área plantada e a continuidade dos investimentos em tecnologia no campo.

A relação estoque-uso mundial situa-se em patamares que garantem o abastecimento das indústrias sem sobressaltos. A concentração de estoques em território chinês atua como um estabilizador de preços, impedindo altas agressivas mesmo com o consumo superando a produção anual. O mercado segue atento às condições climáticas para o desenvolvimento final das lavouras no Hemisfério Sul.