Na manhã desta terça-feira (24), lideranças cristãs de diferentes igrejas e confessionalidades de Aripuanã protocolaram na Câmara Municipal uma Carta-Manifesto em defesa do bem comum, da dignidade humana, da ética pública e do respeito às instituições democráticas.
O documento foi registrado sob o Protocolo nº 264/2026 e encaminhado à secretária-geral da Casa, Carla Melo de Souza, formalizando a manifestação de ministros e ministras ordenados que subscrevem o texto.
Segundo os signatários, a iniciativa reafirma a compreensão da laicidade do Estado brasileiro, destacando que a separação entre Igreja e Estado não impede a participação responsável das comunidades de fé no debate público. Para as lideranças, a atuação política, entendida como compromisso com o bem comum e a ética social, também integra a vocação das tradições religiosas.
A Carta apresenta fundamentação teológica e bíblica e sustenta que o discurso público deve ser pautado pelo respeito, prudência e responsabilidade institucional. As lideranças reconhecem que a crítica política é legítima em um regime democrático, mas afirmam que ataques de natureza pessoal e manifestações que atinjam a honra e a dignidade de agentes públicos extrapolam os limites do debate republicano.
O documento também menciona preocupações relacionadas a declarações públicas em redes sociais e durante sessões legislativas atribuídas ao vereador Luciano Aparecido Demazzi, direcionadas à prefeita Seluir Peixer Reghin e, de forma indireta, a servidores municipais, tema que já é objeto de denúncia formal apresentada ao Legislativo.
No texto, as lideranças religiosas ressaltam que não pretendem substituir o devido processo legal, mas solicitam que a Câmara Municipal assegure a apuração dos fatos conforme o Regimento Interno e a legislação vigente.
Entre os pontos defendidos estão:
garantia do contraditório e da ampla defesa;
reafirmação do compromisso institucional com o decoro parlamentar;
fortalecimento de um debate político centrado em propostas e políticas públicas.
De acordo com os representantes religiosos, a iniciativa não possui caráter partidário, mas sim pastoral e comunitário. “A fé cristã possui dimensão pública e social. Nosso compromisso é com a dignidade humana, com a cultura de paz e com o bem comum”, destaca trecho da Carta.
O documento passa agora a integrar os registros oficiais da Câmara Municipal de Aripuanã e aguarda os encaminhamentos regimentais cabíveis.