Mato Grosso tem quatro cidades entre as 50 com o menor Índice de Progresso Social (IPS) do Brasil: Nova Nazaré, Campinápolis, Vila Bela da Santíssima Trindade e Colniza. O índice mensura a qualidade de vida desses municípios através de indicadores como água e saneamento, moradia, segurança pessoal, saúde e bem-estar, inclusão social e acesso à educação superior.
De acordo com o levantamento, outros municípios mato-grossenses também aparecem entre os menores índices de progresso social do estado. General Carneiro registrou IPS de 50,99, seguido por Aripuanã e Cotriguaçu. Todos os municípios listados ficaram abaixo da média nacional, que foi de 63,40 pontos em 2026.
Na outra ponta do ranking estadual, Cuiabá aparece como a cidade com o maior Índice de Progresso Social de Mato Grosso, com pontuação de 67,22. Em seguida estão Araguainha, Primavera do Leste e Rondonópolis.
O IPS Brasil 2026 é composto por 57 indicadores sociais e ambientais obtidos a partir de bases públicas de dados. O índice varia de 0 a 100 e avalia o desempenho dos municípios em três dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.
Segundo o levantamento, a dimensão Necessidades Humanas Básicas avalia aspectos essenciais para a sobrevivência e qualidade mínima de vida da população, como alimentação adequada, atendimento médico básico, acesso à água potável, saneamento, moradia e segurança. Já a dimensão Fundamentos do Bem-estar mede fatores ligados à ampliação da qualidade de vida, como acesso à educação básica, internet, comunicação, saúde e qualidade ambiental.
A dimensão Oportunidades, considerada a mais complexa de mensurar, avalia condições estruturais relacionadas à direitos individuais, liberdade de escolha, inclusão social e acesso à educação superior. De acordo com o IPS Brasil 2026, essa foi a dimensão com menor média nacional, atingindo 46,82 pontos.
De acordo com Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil, o índice busca medir resultados efetivos na vida da população. “Ou seja, o IPS mede resultados e não volume de investimentos, ou riquezas. Nos interessa saber se os serviços públicos estão, de fato, sendo entregues aos cidadãos”, afirmou.
O índice é desenvolvido em parceria entre Imazon, Fundação Avina, iniciativa Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative. O levantamento utiliza exclusivamente dados públicos e é atualizado anualmente para auxiliar no planejamento e avaliação de políticas públicas e investimentos sociais.
Diferentemente de indicadores econômicos, como o Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o IPS mede diretamente os impactos na qualidade de vida da população. O estudo destaca que cidades com níveis semelhantes de renda podem apresentar desempenhos muito diferentes em bem-estar social, evidenciando a influência da gestão pública e das políticas sociais nos resultados.