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Mato Grosso registra 80 mil hectares sob alerta de desmatamento em um mês; Tangará da Serra lidera

Data: Quarta-feira, 03/06/2026 18:30
Fonte: Rojane Marta/Fatos de MT
Os dados, gerados pela plataforma da Sema em parceria com a empresa SCCON, indicam onde houve remoção de vegetação e servem de base para a fiscalização, mas não significam, por si só, que todos os casos sejam desmatamento ilegal já confirmado.
Mato Grosso registra 80 mil hectares sob alerta de desmatamento em um mês; Tangará da Serra lidera

O sistema de monitoramento por satélite da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) registrou 8.154 alertas de desmatamento e de outras alterações na cobertura vegetal nativa do estado no período de 27 de abril a 27 de maio de 2026, somando cerca de 80,8 mil hectares de área atingida em 149 municípios monitorados. Os números constam de relatório consolidado da plataforma operada pela Sema em parceria com a empresa de tecnologia SCCON.

Tangará da Serra foi, de longe, o município mais crítico em área, com 18,4 mil hectares sob alerta, o equivalente a quase um quarto de tudo o que foi detectado no estado no período. Em seguida aparecem Paranatinga, com 4,9 mil hectares, São Félix do Araguaia, com 4,8 mil, Gaúcha do Norte, com 4,6 mil, e Colniza, com cerca de 4 mil. Os dez municípios com maior área atingida concentraram, juntos, quase 58% de todo o território sob alerta no estado. Quando se considera o número de ocorrências, e não a área, o município com mais alertas foi Colniza, com 592 registros, seguido por Tangará da Serra.

A maior parte da área atingida está classificada como corte raso, a remoção total da vegetação, que respondeu por cerca de 42,8 mil hectares, mais da metade do total do período. Em seguida vêm as cicatrizes de queimada, com 17,2 mil hectares, e a categoria de acesso, que indica a abertura de estradas e ramais em meio à vegetação, com 13,6 mil hectares. O relatório registra ainda áreas de degradação florestal e cerca de 1,2 mil hectares ligados a extração mineral e garimpo. No total do mês, o corte raso e a abertura de acessos, ambos associados ao avanço sobre áreas de floresta, dominaram as detecções.

A plataforma da Sema, em uso desde 2019 e financiada pelo Programa REM, utiliza imagens diárias de satélite para identificar mudanças na vegetação quase em tempo real. A partir dos alertas, o órgão notifica proprietários rurais e pode aplicar multas e embargos à distância, cruzando os dados com o cadastro ambiental rural do estado. A ferramenta é apresentada pelo governo como instrumento de transparência e de combate ao desmatamento ilegal, e é de acesso público.

Os alertas, porém, não equivalem automaticamente a desmatamento ilegal comprovado. Cada registro precisa ser checado pela fiscalização, e parte das remoções de vegetação pode estar amparada em autorização. Essa distinção ganhou relevância nos últimos dias: no início de junho, a própria Sema suspendeu temporariamente as autuações feitas apenas com base em alertas automáticos em áreas campestres do Pantanal e criou um grupo de trabalho para revisar os critérios técnicos desse tipo de fiscalização, diante de questionamentos sobre a precisão da detecção remota em regiões mais sensíveis. Os dados do monitoramento seguem, assim, como ponto de partida para a fiscalização ambiental no estado, e não como medida final do desmatamento confirmado.

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