Os povos indígenas Apiaká, Kayabi, Rikbaktsa e Munduruku, que vivem nos municípios de Brasnorte, Juara e Cotriguaçu, no noroeste de Mato Grosso, estão investindo na recuperação de áreas degradadas por meio do cultivo de florestas e da implantação de sistemas agroflorestais. A iniciativa busca fortalecer a segurança alimentar das comunidades e contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas.
A ação integra o projeto Semear Vida – Povos Indígenas, desenvolvido pelo Instituto Centro de Vida (ICV), que foi selecionado pelo programa Restaura Amazônia (Terras Indígenas). O projeto é executado na Macrorregião 2, que abrange os estados de Mato Grosso e Tocantins, sob gestão da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), com recursos do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A iniciativa ganha ainda mais relevância diante do avanço do desmatamento na região. Dados do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que mais de 131 mil hectares foram desmatados entre 2015 e 2024 nos municípios de Juara, Brasnorte e Cotriguaçu.
Sistemas agroflorestais fortalecem produção e preservação
Entre as principais estratégias adotadas está a implantação dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), técnica tradicional entre os povos indígenas que combina árvores, culturas agrícolas e espécies nativas em uma mesma área.
Inspirados no funcionamento natural da floresta, os SAFs promovem maior diversidade de alimentos, recuperam a fertilidade do solo, contribuem para a conservação da água e ampliam a produção destinada tanto ao consumo das famílias quanto à comercialização.
Além disso, os alimentos produzidos podem abastecer programas públicos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), gerando renda e fortalecendo a agricultura indígena.
Recuperação da vegetação nativa
Outra importante frente do projeto é a Regeneração Natural Assistida, técnica que aproveita a capacidade natural da floresta de se recompor.
As ações incluem o controle de espécies invasoras, proteção das áreas contra incêndios, isolamento de regiões mais sensíveis e o enriquecimento da vegetação com espécies nativas, acelerando o processo de recuperação ambiental.
Com a iniciativa, as comunidades indígenas de Brasnorte e dos municípios vizinhos reforçam seu papel histórico na conservação da Amazônia, aliando conhecimentos tradicionais e técnicas de restauração para proteger o meio ambiente, garantir a produção sustentável de alimentos e contribuir para a preservação da floresta para as futuras gerações.