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Aos 14 anos, aripuanense Ana Clara Felber se destaca nos Três Tambores e sonha com a arena de Barretos

Data: Segunda-feira, 17/08/2026 10:01
Fonte: TOP NEWS
Jovem atleta de Aripuanã já acumula participação em 13 competições e conquistou o 3º lugar na categoria Aberta da ExpoJuína 2026
Aos 14 anos, aripuanense Ana Clara Felber se destaca nos Três Tambores e sonha com a arena de Barretos

Aos 14 anos, a aripuanense Ana Clara Felber começa a ganhar destaque no cenário regional dos Três Tambores. Praticante da modalidade em competições há cerca de um ano e três meses, a jovem vem acumulando experiências, medalhas e resultados em provas realizadas em diferentes cidades de Mato Grosso.

Entre os resultados mais importantes da trajetória está o 3º lugar na categoria Aberta da ExpoJuína 2026, uma conquista considerada pela própria atleta como um marco, já que a categoria permite a participação de competidores de diferentes idades e sexos.

“É uma categoria que é permitido correr todas as idades e sexo. Então, conquistar esta posição foi de fato um marco para mim”, contou Ana Clara.

Da brincadeira em casa às competições

O interesse pelos Três Tambores surgiu quando Ana Clara começou a assistir a vídeos na internet e acompanhar outras competidoras da modalidade. No início, os treinamentos eram feitos em casa, utilizando galões de 20 litros como referência para os tambores e um animal que ainda não tinha experiência na atividade.

O incentivo para seguir no esporte veio principalmente dos pais e, posteriormente, da parceria com a também competidora Maria Kulpe Schimainski. Segundo Ana Clara, as duas chegaram a treinar juntas em um espaço improvisado, mas mantiveram o foco nos sonhos que tinham dentro da modalidade.

A primeira competição, no entanto, foi marcada pela falta de experiência e treinamento adequado. “Sim, horrível, sem experiência e sem treinamento”, relembra a jovem sobre a estreia.

Com o passar do tempo, vieram o aprendizado, o amadurecimento e resultados cada vez mais expressivos.

Conexão com os animais é um dos principais desafios

Para Ana Clara, um dos aspectos que mais chama a atenção nos Três Tambores é justamente a relação entre atleta e animal. Ela destaca que é necessário desenvolver uma conexão baseada em respeito e confiança.

Atualmente, a jovem compete com três animais: Baby Shark, que está com ela há quase três anos e participa das competições há aproximadamente um ano e três meses; Smart Frost, com quem começou a competir há menos de quatro meses; e Greta EK, de propriedade de um amigo identificado por ela como Joel, da Agropecuária Estrela, que confiou à atleta a missão de iniciar a competição com a égua. “Tenho com os três animais uma conexão forte de confiança, respeito e amor”, afirma.

Na preparação para as provas, Ana Clara destaca a importância da concentração, dos cuidados com a saúde e do controle emocional, já que, segundo ela, o comportamento da competidora também influencia a resposta do animal.

Poucos segundos para colocar o treinamento em prática

A velocidade é uma das características que tornam os Três Tambores uma modalidade de grande exigência. Na pista, o conjunto precisa executar o percurso em poucos segundos, o que aumenta a pressão sobre o competidor.

Ana Clara admite que sente bastante ansiedade antes das provas. “Eu fico muito ansiosa e meu coração parece que vai sair pela boca. Mas acho que é normal pela pressão, já que tenho somente alguns segundos para realizar aquilo que treino”, explica.

Para controlar o nervosismo, ela procura conversar com o treinador e com outros competidores, tentando deixar o ambiente mais leve antes da entrada na pista. Antes de competir, também busca concentração e proteção. “Primeiramente em Deus e peço sua proteção a mim e ao meu animal”, relata.

A jovem destaca ainda a importância do treinador Márcio Porto, da loja Cavalo.com, de Juína, que, segundo ela, tem papel importante em sua caminhada no esporte.

Treinamento é um dos principais desafios para quem mora em Aripuanã

Por morar em Aripuanã, Ana Clara enfrenta uma dificuldade específica: a distância dos locais onde consegue realizar um treinamento mais estruturado.

De acordo com a atleta, os animais ficam em Juína, o que dificulta a rotina de treinos. Na maior parte do período escolar, ela não consegue treinar com frequência e aproveita principalmente as férias para intensificar a preparação.

Fora desse período, busca estudar vídeos, observar erros e acertos e colocar os aprendizados em prática quando consegue viajar para Juína e treinar com o treinador.

A rotina também é organizada para que os estudos permaneçam como prioridade. Quando há competição no fim de semana, os treinos são intensificados na semana anterior, permitindo que os animais tenham período de descanso antes da prova.

“Meus pais sempre falam que o estudo está em primeiro lugar. Então, primeiro foco nas atividades escolares para depois conseguir fazer meus treinos normalmente”, afirma.

Primeira fivela e grandes experiências

Entre as conquistas já alcançadas, uma tem significado especial para Ana Clara: a primeira fivela. A atleta também considera marcante sua participação no Rancho Soberano, em Sorriso, em 2025, que reuniu 303 animais e 249 competidores.

Para ela, aquela competição representou uma oportunidade de adquirir conhecimento e experiências que pretende levar para a carreira esportiva.

Outro momento importante aconteceu em Juína, quando, em sua terceira prova com Smart Frost, conseguiu pela primeira vez registrar um tempo na casa dos 17 segundos em uma pista oficial.

O melhor tempo informado pela atleta é de 17s764 em pista oficial. Na pista de rodeio reduzida da ExpoJuína, alcançou 16s687.

Ao todo, Ana Clara já participou de 13 competições, passando por eventos em Brasnorte, Campo Novo do Parecis, Sorriso, Juína e Aripuanã.

Sonho de chegar a Barretos

Mesmo com apenas 14 anos e pouco mais de um ano de experiência competitiva, Ana Clara já mira desafios maiores. Entre os sonhos está competir e vencer na tradicional arena de Barretos, referência no universo dos rodeios e das competições equestres.

A caminhada, porém, ainda é construída passo a passo. A própria atleta reconhece que o início foi difícil, marcado por quedas, dificuldades e até momentos em que pensou em desistir.

“Sim, muitas vezes. O amor que tenho pelos animais e pelo esporte e minha família, sem dúvidas”, responde quando questionada sobre o que a fez continuar.

Família é peça fundamental

Por trás da trajetória da jovem existe também o apoio constante da família. Os pais participam diretamente do projeto esportivo, tanto no incentivo quanto nos investimentos necessários para manter a atividade.

Além dos cuidados com os animais, treinamentos, viagens, transporte e inscrições nas competições, a modalidade exige uma estrutura que representa um compromisso financeiro e familiar. “Com muitoooo investimento kkk, mas com o apoio total. Sem eles não chegaria a lugar algum”, destaca Ana Clara.

A mãe, Janete Alba Felber, acompanha de perto a preparação e as competições. Segundo ela, o treinamento vai muito além das passadas pelos tambores e envolve aquecimento, equilíbrio, condicionamento físico, controle corporal e aperfeiçoamento das respostas do animal aos comandos da competidora.

O treinador também observa os erros e pontos que precisam ser aprimorados durante as provas para trabalhar essas questões nos treinamentos seguintes. “Estamos em uma fase muito positiva e melhorando cada vez mais como conjunto”, explica Janete.

Na arquibancada, a emoção é intensa. Janete conta que acompanha cada entrada da filha na pista com orgulho, ansiedade e preocupação, principalmente pelos riscos envolvidos em um esporte que exige velocidade e precisão. “Sou a fã número um e torço até perder a voz”, afirma.

Com dedicação, apoio familiar e uma relação cada vez mais forte com os animais, Ana Clara Felber segue construindo sua trajetória nos Três Tambores, transformando os primeiros resultados em experiência e mantendo vivo o sonho de alcançar arenas ainda maiores.