O Ministério Público Federal (MPF) denunciou Valmir Goes de Jesus, conhecido como "Maquita", por coordenar um garimpo ilegal de diamantes com 15 homens e uma super estrutura dentro da Terra Indígena Roosevelt e do Parque Aripuanã, territórios de restrição federal localizados em Rondônia. A denúncia foi aceita pela Justiça Federal e corre na Vara Federal Cível e Criminal de Vilhena (RO).
📍A TI Roosevelt possui mais de 230 hectares de expansão e se espalha entre Rondônia e Mato Grosso. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), mais de 1,8 mil indígenas vivem na área, entre eles as etnias Apurinã e Cinta larga.
📍O Parque Indígena Aripuanã fica no município de Vilhena (RO) e possui mais de 1,6 mil hectares. Na região também vivem indígenas Cinta Larga, além de povos isolados.
➡️O denunciado foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em 25 de maio de 2023. A prisão ocorreu durante a Operação Oraculum, que combate crimes ambientais na região do "Garimpo Lajes".
O g1 teve acesso à denúncia feita pelo MPF e o documento mostra que Valmir não agia sozinho, mas era uma peça fundamental na organização do garimpo. Ele chefiava a logística e usava táticas para despistar a polícia dentro da floresta.
Segundo a MPF, a base chefiada por Maquita era bem estruturada. O objetivo era manter a extração de diamantes e evitar prisões.
Para monitorar o trabalho e avisar sobre a chegada da polícia, eles usavam um rádio sem registro na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O aparelho tinha uma antena adaptada, chamada de "chuveirinho", para aumentar o sinal.
O grupo usava motobombas para extrair os diamantes, o que causou desmatamento e destruição do solo. A denúncia diz que Valmir conhecia toda a estrutura do garimpo, que incluía dezenas de máquinas pesadas, como escavadeiras.
O garimpeiro usava uma moto para circular rápido por estradas ilegais na reserva. Ele foi preso pela PF enquanto pilotava, com o rádio ligado.
Ao ser abordado pela polícia, Valmir confessou o crime. Ele disse aos agentes que já estava naquele acampamento há 15 dias. Porém, admitiu que já trabalhava no garimpo ilegal daquela área de proteção federal há pelo menos cinco anos.
O MPF argumenta que, devido à gravidade, ao tempo de atuação e ao nível de organização do acusado no crime ambiental, ele deve enfrentar o processo criminal comum e ir a julgamento, sem direito a atalhos ou acordos judiciais.
Valmir foi denunciado por quatro crimes:
Além de pedir a prisão do garimpeiro, o MPF quer que a Justiça Federal o condene a pagar uma indenização de, no mínimo, R$ 200 mil. O valor serve para reparar os danos ambientais e morais causados à natureza e aos indígenas da região.
No processo existem dois números de telefone ligados ao denunciado. O g1 tentou contato em ambos, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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