Aripuanã passou a integrar oficialmente a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, iniciativa coordenada pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-MT). A instalação ocorreu na última quinta-feira (24) e marcou a criação da 133ª rede do estado.
A formalização ocorreu por meio da assinatura de um termo de cooperação entre o Poder Judiciário e as instituições que participam da rede. Na sequência, profissionais que atuarão no atendimento e nas políticas de proteção às mulheres participaram de uma capacitação conduzida por assessores técnicos da Cemulher-MT.
O juiz diretor do Foro de Aripuanã, Yago da Silva Sebastião, destacou que o município enfrenta índices considerados elevados de violência doméstica e feminicídio. Segundo ele, dois feminicídios foram registrados em Aripuanã em 2026, até o momento da instalação da rede.

Para o magistrado, a atuação integrada entre Polícia Civil, Polícia Militar, Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública pode concentrar esforços nas ações de prevenção, conscientização e enfrentamento da violência doméstica.
Yago também agradeceu à desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo, coordenadora da Cemulher-MT, pelo trabalho de implementação da política no município.

A vereadora e procuradora da Mulher de Aripuanã, Érika Tatsch, afirmou que a assinatura do termo representa um avanço na estrutura de proteção e atendimento às mulheres.
Segundo ela, a iniciativa pretende ampliar o acesso a serviços especializados, com acolhimento, orientação e encaminhamento adequado para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade.
Érika também ressaltou a importância da capacitação dos profissionais que atuam diretamente nas políticas voltadas às mulheres, defendendo um atendimento humanizado, qualificado, sigiloso e acolhedor.
O delegado Robson Santiago Michels afirmou que a Polícia Civil considera importante a participação conjunta das instituições municipais e estaduais na iniciativa.
Segundo o delegado, a integração entre Judiciário, Executivo, Legislativo, Ministério Público, Defensoria Pública e forças de segurança é necessária para ampliar a capacidade de enfrentamento da violência doméstica no município, especialmente diante dos casos graves registrados.

O comandante da Polícia Militar em Aripuanã, major PM Richard, também destacou a importância da articulação promovida pela Cemulher-MT.
De acordo com o comandante, Aripuanã aparece na quinta posição no índice de feminicídio em Mato Grosso, segundo o levantamento mencionado por ele durante o evento.
O major lembrou ainda que, durante as ações do Agosto Lilás, a união entre instituições públicas possibilitou a instalação da Patrulha Maria da Penha no município.
Segundo ele, a criação da Rede de Enfrentamento deve ampliar a integração entre os órgãos e contribuir para o atendimento das mulheres e também das crianças afetadas pela violência doméstica.
Com a instalação em Aripuanã, a Cemulher-MT contabiliza 133 Redes de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em Mato Grosso. A proposta é articular os diferentes serviços e instituições envolvidos na prevenção, proteção, atendimento e responsabilização em casos de violência contra a mulher.
A iniciativa passa a reunir, de forma integrada, órgãos do sistema de Justiça, segurança pública, poder público municipal e demais instituições que atuam na rede de proteção, buscando facilitar os encaminhamentos e fortalecer o atendimento às vítimas.